Versão da IA sobre o conto – O príncipe Nabo- de llse Losa
A Princesa Cebola
Era uma vez, num reino distante, uma princesa
chamada Cebola. Tinha esse nome porque, desde
pequena, fazia todos chorar — não de emoção, mas de
tanto que resmungava e se queixava de tudo.
A princesa Cebola era muito bonita: tinha olhos verdes
como esmeraldas e cabelos dourados como o trigo
maduro. Mas a sua beleza escondia um defeito terrível
— era vaidosa, mimada e convencida. Achava que todos deviam servir-la,
obedecer-lhe e elogiá-la sem parar.
O rei, seu pai, e a rainha, sua mãe, já não sabiam o que fazer. Tinham
contratado amas, conselheiros, professores de boas maneiras... mas nada
resultava. A princesa Cebola continuava insuportável.
Um dia, o rei, cansado das birras, anunciou:
— Minha filha, está decidido! Vais casar!
A princesa franziu o nariz.
— Casar? Com quem?
— Com o príncipe mais inteligente, bondoso e honesto que encontremos!
A princesa soltou uma gargalhada.
— Bondoso? Inteligente? Credo! Eu quero alguém bonito, forte e que me
obedeça!
O rei suspirou fundo. Mas a decisão estava tomada. Enviaram mensageiros por
todo o reino e logo começaram a chegar príncipes de todas as terras, ansiosos
por conhecer a famosa princesa.
Para escolher o marido, a princesa Cebola decidiu que todos teriam de passar
por três provas:
1. Escrever-lhe um poema.
2. Fazer-lhe uma refeição.
3. Elogiá-la da forma mais criativa possível.
Vieram príncipes de montanha e de mar, de deserto e de floresta. Todos
falharam.
Um dizia:
— “Os teus olhos são duas estrelas!”
E ela respondia:
— “Estrelas? Eu mereço só duas?”
Outro ofereceu-lhe um banquete de chocolates e frutas exóticas.
— “Que horror! Fico gorda!”
O rei já estava a perder a paciência, quando apareceu um jovem misterioso,
vestido de roupas simples. Tinha os sapatos sujos de lama e trazia um saco às
costas.
— Quem és tu? — perguntou a princesa, com nojo.
— Sou o jardineiro Nabo, alteza. Vim tentar a sorte.
A corte inteira desatou a rir.
— Um jardineiro? Casar com a princesa?
Mas o rei, curioso, deixou-o tentar.
Na primeira prova, o jardineiro Nabo escreveu um poema simples, mas bonito:
“Nem flor nem joia brilha tanto,
quanto um coração sincero.
Quem só vê o espelho, perde o encanto,
e torna-se prisioneiro.”
A princesa revirou os olhos.
— Que tédio! Isso nem rima bem!
Na segunda prova, ele cozinhou uma sopa — apenas de legumes do jardim.
A princesa provou, fez uma careta e gritou:
— Horrível! Cheira a terra!
Mas na terceira prova, Nabo aproximou-se e disse apenas:
— Princesa, és a mais bela de todas... por fora. Espero que um dia descubras
o que há por dentro.
A corte ficou em silêncio. A princesa ficou vermelha de raiva.
— Insolente! — gritou ela. — Pois se és tão esperto, casarás comigo! Como
castigo!
O rei, surpreso, concordou — e o casamento foi marcado.
Na manhã seguinte, o jardineiro apareceu... transformado!
De roupas simples passou a usar um manto real, e na cabeça brilhava uma
coroa.
— Que é isto? — perguntou a princesa, assustada.
O rei sorriu.
— Pois bem, minha filha, o “jardineiro Nabo” é, na verdade, o Príncipe das
Hortas, um jovem encantado que só voltaria à sua forma verdadeira quando
encontrasse alguém capaz de o ver com o coração — e não com os olhos.
A princesa ficou envergonhada. Corou, baixou a cabeça e pela primeira vez na
vida... pediu desculpa.
Com o tempo, aprendeu a rir de si mesma, a ouvir os outros e até a trabalhar
no jardim com o marido. E dizem que, de tanto conviver com legumes, acabou
por deixar de fazer chorar os outros — e passou a fazê-los rir.
André Gomes Mendes,
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